sexta-feira, 28 de março de 2008

O Parto

Pedro, Laura e eu (?)
3 de fevereiro de 2007



Janeiro de 2007, férias, nada pra fazer, esperando a Laura resolver nascer, e nada. Como mãe de primeira viagem estava muito nervosa, tensa, até que não aguentei esperar mais e marquei a cesária pro dia 3 de fevereiro, completando 39 semanas de gravidez. (Pra quem não sabe normalmente uma gravidez dura 40 semanas, mas eu não queria esperar mais.)

Primeiro, sei que não sou uma pessoa muito normal, portanto não sou exemplo.

Continuando, comecei um jejum as 20 horas de sexta e meu "ilustríssimo" cunhado resolveu fazer uma comida que cheirava a casa inteira, não comi, resultado: mal humor antes de dormir.

No sábado as 6 horas acordei melhor, com muita fome, muita sede e vontade de voltar atrás e esperar a Laura nascer de parto normal.

Fui pro hospital, deixaram (minha sogra e meu pai) tudo pago e fiquei no quarto, uma tensão terrível. E o tempo não passava e o médico não chegava. Quando fui trocar a roupa pra colocar aquele macacão azul terrível eu perguntei pra enfermeira se podia desistir e esperar o parto normal, ela riu e falou o que mais doía era o soro que colocava na mão.

Lá estou eu sentadinha na mesa de cirurgia e vendo chegar a equipe médica, o meu obstetra anotando não sei o quê a enfermeira contando pra ela da festa da noite passada (SERÁ QUE ELA TÁ DE RESSACA????), o anestesista, a tia enfermeira e a pediatra, todos rindo, acredito que era do meu desespero.

A tia enfermeira colocou o soro na minha mão, doeu, o doío normal, e o anestesista foi me dar a anestesia, não senti nada, deitei e comecei a não sentir nada no corpo, o desespero começou a tomar conta de mim, eu parecia um frango a ser abatido, na verdade uma rã, daquelas que se abrem no colégio, realmente é uma posição é muito parecida, e como demoraram pra colocar o maldito paninho na frente, meus braços amarrados na mesa de cirurgia aumentou meu desespero.

Eu: Ai, tá demorando demaaaaaissss!!!!!! Aaaaaaaaaaaiiiiiiii!!!!!

Médico: Pode gritar o que você quiser, menos “ai”, senão eu vou achar que você está sentindo dor.

Beleza! Visto meu desespero, o anestesista começou a conversar comigo, perguntar o que eu fazia da vida.

- Sou estudante de História (abrindo o sorriso pra mostrar o meu maior orgulho até então). Sabia que cesariana é porque o Júlio César, aquele mesmo que foi marido da Cleópatra mandou abrir a mãe dele pra saber de onde ele veio.

Ele sabia disso óbvio, mas fez cara do bobo. A enfermeira que segurava a minha mão só ria. E eu soltava as amarras dos braços e ficava pedindo “pelamordedeus” um copo de água.

Nasceu! Nasceu!

- Olha como é carequinha! – disse a enfermeira que segurava a minha mão.

Eu já sabia que ela ia ser careca, eu era, meu marido também era. Não tinha porque nascer com o cabelo, veio a pediatra e me mostrou o bebê mais lindo e com a cara mais emburrada do mundo, parecia que a Laura me olhou com cara de “ei, porque você me tirou daqui de dentro, eu não queria sair agora!”

Agora, mais do que nunca eu queria sair daquela mesa de cirurgia pra pegar direito o meu neném nos braços. E comecei a “agilizar” a equipe médica:

- Eeeei, vamos embora com isso, tá demorando demais! Opa, que que é isso que você tá colocando aí no soro?

PUF! Dormi! Para a felicidade da equipe médica.

Acordei quando já tinham terminado tudo estava saindo da sala de cirurgia e a primeira pessoa que eu vi foi meu vô Moyzés que perguntou:

- Como você está?

- Eu tô muito doida.

E voltei a dormir.

5 comentários:

Anônimo disse...

Eu to muito doiiiiiiida

Trícia disse...

Ai Kaká, você é uma figura!!! E escreve muito bem!!! Adore (re) ler a história do teu parto. :D

Fany Vigato disse...

Adorei..... sua historia.. Demais...

Unknown disse...

q legal seu parto...
amei o "to muito doida"kkkkkkk
bjs
Fér

Unknown disse...

ahahaha

Tu me fez rir...

adoreeeeeeeii ...